Entrevista Jostein Gaarder e John Boyne – última parte

agosto 20, 2010 :: Posted by - admin :: Category - Vá ler um livro

Olá, sou professora de filosofia e dou aula para alunos de 15 à 19 anos (…). Gostaria de saber do Jostein Gaarder, já que o mesmo lecionou filosofia durante anos, como ele lida com essa matéria (…), vendo que é muito complicado tirar da cabeça dos alunos que a filosofia é apenas para loucos ou gênios. – pergunta da plateia
Jostein Gaarder: “É realmente complicada essa visão da filosofia (…). Mas, quando eu lecionava, era só transformar as coisas de um jeito que se tornasse prazeroso ao aluno (…) Era só fazer perguntas. Você não precisa tanto de datas, de nomes ou de lugares… simplesmente sente na frente deles e pergunte coisas que todos se perguntam, porque esse é o papel da filosofia. Questionar (…)”.

Pretendo ser escritora e gostaria que vocês dessem dicas para os iniciantes (…) – pergunta da plateia
John Boyne: “Na verdade não existem muitas dicas para isso. No meu caso, por exemplo, eu sinto prazer em escrever (…) é uma coisa que vem de dentro de mim e não vai parar nunca. Eu sempre estou escrevendo, até antes de vir aqui, para o debate, eu estava escrevendo (…). Então, para os novos escritores, eu só posso pedir que ESCREVAM. Escrevam sempre! Uma vez por dia, todos os dias (…) Um amigo meu dizia que se escrevêssemos todos os dias, em um ano teríamos 365 páginas, e isso é um livro bem grande (…)E também leiam, leiam muito. A leitura só traz coisas boas, melhora tudo: nossa escrita, nossa memória, nossa imaginação (…). E, por último, reescrevam. Esse é o principal segredo. Existem pessoas que acham que da primeira vez que escrevem está tudo perfeito, mas isso é mentira. Um rascunho é sempre um rascunho. Ali está só a base, as primeiras ideias que saíram descontroladamente”; Jostein Gaarder ainda completou: “Logo que eu comecei nessa carreira, eu escrevi um livro gigante. Mas, cometi um erro terrível para mim mesmo: não deixei que os outros o vissem e nem o rê-li. Assim que o terminei, mandei direto para a editora (…) Esse livro nunca foi publicado, obviamente. E eu, depois que o li, sequer gostei do que eu havia escrito (…). Concordo com Boyne, reescrevam e reeditem quantas vezes for necessário. Nem que, para isso, tenham que refazer o livro todo”.

Olá, meu nome é Tatiany Leite e escrevo para um blog sobre livros (…). Gostaria de saber, aproveitando a última pergunta, o que vocês acham sobre a internet. Isto é, acham que a internet é um bom canal para quem está começando agora?

John Boyne: “Eu sou absolutamente viciado em internet. Se eu chego, por exemplo, em um hotel que não tem internet eu fico louco (…). Fiquei com inveja de Gaarder porque ele sequer trouxe seu notebook! E isso, para mim, é muito estranho (…) Faço tudo na internet e acho que, hoje em dia, é difícil que não o faça, mas a internet é algo complicado. Quando alguém escreve na internet, não significa necessariamente que é um escritor (…) O papel de uma editora, por exemplo, é fundamental… Quando você é escritor, há todo esse processo que faz parte da criação de uma boa obra (…)”,
Jostein Gaarder: “A internet hoje em dia é algo imprescindível para qualquer pessoa. John disse que eu não trouxe notebook, mas eu o trouxe indiretamente. Eu tenho esse aparelho, (Jostein mostrou algo que pareceu ser um ipod), que me dá total contato com o mundo tecnológico. Daqui eu posso entrar em meus e-mails e ainda verificar todas as minhas obras (…) Todas as minhas obras e textos estão nesse pequeno aparelho que carrego no bolso e isso é absurdamente incrível(…). Acho que o papel da internet é tremendamente importante para quem começa a escrever. O jovem precisa de algo que o acompanhe e a internet veio para isso(…)”.

No livro Maya, de Jostein Gaarder, os personagens falam sobre a possibilidade de beber-se um líquido mágico que teria o poder de torná-los imortais (…) John nos disse que é tão viciado em escrever que, possivelmente, quando morresse estaria no meio de um livro; enquanto Jostein mostrou-se apreensivo por achar que, em alguma hora, não terá mais o que oferecer como escritor (…) Então, se vocês pudessem beber esse elixir da vida, vocês o beberiam? E, se sim, continuariam escrevendo ou acham, realmente, não teriam mais o que oferecer para seus leitores?
John Boyne: “Uau, essa é uma pergunta bem difícil (…). Eu não sei, eu continuaria com essa aparência magnífica que tenho? (…) Caso eu bebesse esse elixir, tenho certeza que continuaria escrevendo, não me vejo parando nunca (…) Esses dias brinquei com meu pai que nunca me aposentaria, não me vejo sendo um velhinho que não escreve (…) Não sei se respondi muito bem”.
Jostein Gaarder: “Muito interessante sua pergunta. No meu livro, Maya, em determinado momento, uma das personagens pega um esqueiro e entrega ao seu parceiro dizendo que, caso ele o abra, se tornará imortal. E o personagem, sem pestanejar, abre o esqueiro (…) São pouquíssimas pessoas que optam por isso (…) Tenho certeza que, caso eu pergunte aqui, ninguém escolheria ser imortal. É uma decisão complicada (…) Mas, eu escolheria (…) Adoraria ver o mundo passando e poder contar a história como vi de verdade, mas não sei se teria memória para isso. Digo, John quer manter sua beleza mas, imaginem eu que já sou mais velho. Me tornaria imortal nessas condições? Não sei, caso tivesse memória e condições para isso, continuaria escrevendo sobre cada detalhe (…)”.
John Boyne: “Vocês notaram que estamos respondendo como se realmente pudéssemos beber esse elixir? (…) Digo, Eu poderia pedir cabelos, por exemplo? (…)”.

Entrevista Jostein Gaarder e John Boyne, parte I

agosto 19, 2010 :: Posted by - admin :: Category - Vá ler um livro

post

Jostein Gaarder e John Boyne – assuntos sérios, mas com humor.

Debatendo sobre o papel da história narrativa para compreensão do mundo, Jostein Gaarder e John Boyne concordaram ao dizer que qualquer narração serve para manter os dados em nossa mente, “Comecei a escrever “O Mundo de Sofia” pensando em fazer um guia de filosofia. Quando fui ler as 30 primeiras páginas, o livro era tão chato que tive vontade de dormir. (…) Então resolvi inventar a história da menina Sofia que recebe bilhetes secretos com as perguntas : “quem é você?” e “o que é o mundo?’ (…) Só depois disso que funcionou (…) As pessoas puderam entender a filosofia pelo cotidiano de uma criança, por uma narrativa simples que fez tudo ser memorizado (…)”, disse Jostein.
Outro fato bem discutido no espaço foi o uso de crianças para produzir uma boa história, “As crianças são inocentes, não inventam problemas como os adultos (…). Quando pensei em criar meu livro, “O menino do pijama listrado”, percebi que ninguém havia contado sobre o holocausto segundo os olhos de uma criança (…); perante os olhos de alguém que sequer tem um lado definido (…)”, disse John Boyne, em resposta à uma fã. Jostein Gaarder, por sua vez, aproveitou o desfecho para contar sobre a filha de uma amiga que, ao ver o ex-presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, em discurso, pedindo que Deus abençoasse a América, questionou porque o então presidente não abençoava o mundo todo de uma vez. E é essa a inocência que as crianças proporcionam. E as narrativas, quando as retratam, permitem que o leitor assimile os fatos acontecidos, reais ou fictícios, em sua memória para todo o sempre, “O livro “Através do Espelho” é assim, eu falo da morte (…), mas é uma criança que lida com isso (…) e sua inocência limpa toda a maldade (…)”, frizou Jostein ao ser questionado sobre a tristeza que seu livro retrata.
Ainda falando em crianças, fomos todos surpreendidos quando uma mãe, em pé, atrás da plateia, pegou o microfone e, aos prantos, disse que a narrativa de Boyne havia tirado seu filho do hospital. A simplicidade da mãe, que mal sabia os títulos dos livros, arrancou aplausos inclusive dos escritores.
Dali, as perguntas da plateia só cresceram e, ainda, tomaram novo rumo. Depois do próprio Gaarder ter assumido que achava quase não ter mais o que oferecer como escritor; enquanto Boyne sustentava seu vício em escrever o tempo todo, perguntei: “Se pudessem beber o elixir da vida, assim como tentam os personagens do livro Maya, de Jostein, acham que continuariam escrevendo para sempre?”. Depois de um mega discurso do escritor do livro citado, John finalizou o debate, fazendo todos gargalharem, ao dizer: “Depende, eu continuaria com essa aparência magnífica que tenho ou poderia pedir mais cabelos?”.

#aquelalolita essa semana

agosto 18, 2010 :: Posted by - admin :: Category - Novidades do blog
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na Bienal do livro com cunhada

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credencial bienal para o mtv.com.br/valerumlivro

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internada :(

*momento pessoal no Aquela Lolita.

A falta das flores

agosto 17, 2010 :: Posted by - admin :: Category - Textos Pessoais

Quando ouvi o barulho da porta, Demétrio, levantei bruscamente e nem liguei que o cobertor caía no chão.
Mas, quando abri a porta você não tinha flores. Cadê aquela rosa, Demétrio? Decerto achara muito caro o preço do senhor português da esquina. Portanto, se fosse uma questão de economia, eu não ligaria, meu amor.

Só que você ficou tão triste de não ter rosas que, Demétrio, você matou todas as outras…

Vá ler um livro na Bienal – PRIMEIRO POST

agosto 17, 2010 :: Posted by - admin :: Category - Indicações da Semana, Vá ler um livro

Ao lerem esse post, considerem-no como sendo da semana passada. Tudo isso porque a pessoa que vos fala deveria ter ido à Bienal desde o primeiro dia para, assim, fazer toda a cobertura. Acontece que a mesma caiu doente e ficou internada por quatro dias. Sim, caros leitores, quatro longos dias com muito soro e fome. Já estou bem e recuperada e, pelo menos, consegui ir à Bienal. Com credencial na mão e muita coisa para escrever, vamos começar com o que deu para acompanhar.

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Logo chegando na Bienal fui ao debate de John Boyne, escritor do “O menino de pijama listrado”, e Jostein Gaarder, escritor de “O Mundo de Sofia”, já citado aqui no Vá ler um Livro. Pois bem, o debate foi incrível. Os 150 lugares lotados, de crianças e adultos, e, claro, tempo de sobra para perguntar à vontade. Eu mesma fiz a última pergunta aos escritores, duas na verdade, que foram muito solícitos e responderam longamente, com piadas e consequentemente muitas risadas. Essa entrevista será postada em breve, por enquanto detenho-me a contar sobre o evento todo. Outra coisa legal é que, segundo o site da Catraca Livre, logo serão postados no Youtube todos os debates feitos no evento. Portanto, preparem-se para muito conteúdo para ler e assistir!

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Depois do debate, fomos todos convidados para ir ao estande da Companhia das Letras, onde seria a sessão de autógrafos dos dois escritores. As filas cresceram rápido e foi aberta, inclusive, para quem não tinha conseguido assistir o debate.

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Após as fotos e autógrafos, fui conhecer Pedro Bandeira. Sim, sim, Pedro Bandeira escritor da coleção “Os Karas”, que fez parte da juventude de muita gente (inclusive a minha). Já indiquei dois livros da coleção, aqui e aqui.
No encontro com Pedro, ele falava sobre política, Brasil e o espaço dos escritores nas escolas. Interessantíssimo a memória do escritor ao nos dar com precisão várias datas importantes para a história brasileira. A entrevista do Pedro Bandeira logo será postada também, tudo isso para animá-los ainda mais (ou não).

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Finalmente fui ver os estandes. Sou obrigada a concordar com a opinião geral e dizer que o estande da Companhia das Letras é o mais bonito. Para quem ainda não viu, não esqueçam que a Bienal vai até domingo, dia 22.
O estande da Companhia está muito bem localizado, ao lado do Salão de Ideias, e é todo de madeira com detalhes em laranja. Logo na entrada há uma geladeira antiga com os seguintes dizeres: “A Penguim chegou ao Brasil. Abra um clássico para comemorar”. E, então, eu abri:

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Achei incrível a ideia. Apesar dos preços mais salgados da companhia, valia a pena analisar cada detalhe.

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Andando para o outro lado da Bienal, encontrei o espaço da AudioLivro, a primeira livraria criada com somente áudios das mais diversas obras. O estande está bem produzido, mas vale mesmo pelo material. Para quem tem costume de ouvir livros, aquele era o paraíso. Com preços muito acessíveis e um ótimo atendimento, eu quase comprei alguns áudios clássicos.

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Depois de ver muitos estandes, fui ver o debate do Walcyr Carrasco, Ruth Rocha e Ignácio Loyola. Com assuntos diversos como o papel da novela na sociedade, histórias de bons professores e educação, os três levaram a plateia à risos e aplausos constantes. Só para maior curiosidade, logo também tem texto sobre o debate.

 O bacana é que a Bienal desse ano é que, em parceria com a CBL e com a Secretaria Municipal de Edução de SP, ofereceu vale-livros para professores e alunos da rede pública e municipal. Para os professores, 10.000 no total, um vale-livro de R$ 50,00 e, para 40.000 alunos, vales de R$ 5,00. Para alunos do Programa Passaporte Especial de Visitação Escolar, além do vale, também ofereceram lanche, entrada gratuita no evento e monitoria.
Ainda falando em professores, o evento também ofereceu uma oficina de capacitação que tem como objetivo ensinar os educadores a lidar com livros em sala de aula. Com certificado no término, a oficina começou no dia 14 desse mês e vai até o dia 20, com o custo de R$ 20.00.
O MEC, por sua vez, tem um estande próprio onde realiza encontros de leituras e oficinas gerais com profissionais. Segundo o site do governo, o estande contará com 20 encontros de leituras e 30 oficinas. E até Maurício de Souza é figurinha fixa no evento. Produzindo o “Fábulas da Turma da Mônica”, Maurício colocou toda sua firma para trabalhar exclusivamente nisso.

Trabalho o dia todo e, infelizmente, só acompanharei a Bienal novamente no último sábado e domingo. Mas, postarei aqui as melhores programações e novidades. Se você foi na Bienal ou está morrendo de vontade de ir, dê sua opinião! Vá no twitter do @valerumlivro ou mande por e-mail no tatygreg@gmail.com

Amanhã tem mais e não deixe de acompanhar o Aquela Lolita. Com programação, entrevistas e imagens!

 Como chegar: O site da Bienal oferece os melhores meios para chegar no evento. Os mais fáceis estão no ônibus circular gratuito que sai do Tietê, ou, para quem vai de carro, o Estacionamento Unipare que fica ao lado da Unisantana, leva e busca o motorista e seus acompanhantes de van até o evento, pelo preço fixo de R$ 6,00.

Jostein Gaarder na Bienal do Livro

agosto 16, 2010 :: Posted by - admin :: Category - Indicações da Semana, Mundo!

Jostein Gaarder na 21 Bienal do Livro de São Paulo, “(…) meus pais pediram para eu parar de pensar nessas coisas, pois, caso contrário, ficaria louco. Pois bem, fiquei louco”.

Jostein Gaarder, escritor norueguês do best-seller “O mundo de Sofia”, participou da 21ª Bienal do Livro de São Paulo no “Espaço das Ideias” destinado a debates com diversos intelectuais. Falando sobre religião, filosofia, Meio Ambiente e literatura, Jostein nos mostra seu mundo e, o mais importante, sua literatura.

Lançando seu mais novo livro, “O castelo de Pirineus”, que juntará temas como misticismo e religiosidade com os personagens “Steinn” e “Solrunn”, Jostein Gaarder deixou claro toda sua capacidade de induzir dúvidas para obter respostas com a humanidade.

 “Quando escrevi o “O mundo de Sofia” pensei em trazer de volta a filosofia para onde ela veio (…) Sócrates, por exemplo, trazia a filosofia andando por todos os lugares e trazendo dúvidas, questionando a si próprio e aos outros (…) E as dúvidas eram o pensar, eram a filosofia (…) Alguém precisava duvidar, trazer essas perguntas e querer respostas (…) E o livro tenta fazer isso (…) Lecionei filosofia durante muito tempo e notei, principalmente em outra obra, “O dia do Curinga”, que eu não conseguiria abandonar esse meu lado professor (…) Principalmente no “O Mundo de Sofia” sou um contador de histórias e um professor (…)”.

 No debate na Bienal, Jostein mostrou-se solícito em responder todas as perguntas, muitas delas feitas por leitores da plateia emocionados por poderem conversar diretamente com o norueguês, e ainda, de quebra, tiveram seus livros autografados e fotos com seu ídolo após a entrevista coletiva. Tamanho respeito aos seus leitores expressou ao treinar bastante a pronúncia brasileira para o nome de suas obras lançadas aqui no Brasil.

 Numa outra entrevista concedida pela G1, por exemplo, Jostein Gaarder mostrou-se bem preocupado com o Meio Ambiente, quando disse que deveríamos nos preocupar mais com o futuro de nosso planeta e, assim, fazer alguma coisa para mudar o mundo à nossa volta. O assunto pode parecer piegas, mas, para Jostein, o passo principal da humanidade seria, primeiramente, criar a “Declaração Universal dos Deveres Humanos”, afinal, ter apenas direitos só nos deixa estagnados em uma zona de conforto. Quanto à sua parte, o escritor diz que pretende lançar uma obra tão grande quanto “O Mundo de Sofia”, que atingiu dimensões surpreendentes até para o escritor, mas desta vez, destinada totalmente ao Meio Ambiente.

Eu comecei a escrever com onze anos (…) Eu, de repente, acordei e comecei a pensar sobre a existência de todos no universo (…) Então fui até meus pais, que eram professores, e perguntei se eles achavam que era natural todos estarmos vivos (…) E eles disseram que sim e que era melhor eu parar de pensar nisso, pois, caso contrário, ficaria louco (…) Pois bem, fiquei louco (…) E acho que por isso virei escritor, para explicar e me vingar dessas dúvidas sem respostas (…)” Jostein Gaarder, 21ª Bienal do Livro de São Paulo.

 

poema simples, com minúscula

agosto 15, 2010 :: Posted by - admin :: Category - Poesia marginal

Peguei nossos risos e coloquei na taça de vinho
(…) derrubei com o cotovelo.

Demétrio não era brega

agosto 14, 2010 :: Posted by - admin :: Category - Textos Pessoais

Eu estava andando descalça pela casa quando você derrubou um copo, Demétrio.
O copo era normal, tinha uns desenhos amarelos, que eu costumava achar brega, por isso, não foi sobrenatural vê-lo se partindo. Mas, Demétrio, você gritava tanto ao ver os cacos amarelos e transparentes que eu achei que você tinha um lado brega.
Acontece que o problema era outro, Demétrio. Você não era brega, era rude. Então, quando os cacos tocaram o chão, você gritou para eles a direção dos meus pés. Era melhor que fosse só brega.

Grafite – o status da arte por Keith Haring

agosto 13, 2010 :: Posted by - admin :: Category - Indicações da Semana, Lugares, Revista no Divã

Escrevendo com giz nas paredes de metrô, Keith Haring começou sua carreira. Nascido na Pensilvânia e com obras renomadas por ícones pops como Madonna e Grace Jones, o artista está sendo representado pela Caixa Cultural, com suas principais obras.
Descobrindo ser soro positivo, Keith também criou uma organização para prevenir a AIDS. Morrendo apenas um ano após a descoberta de sua doença, nos deixou um legado de obras maravilhosas e inclusive uma espetacular participação na Bienal de São Paulo, na década de 80, e uma obra em um dos muros da paulista que, infelizmente, já foi apagada.
A exposição começou, aqui em São Paulo, no dia 31 de julho e vai até o dia 5 de setembro. Rolou uma pré-estreia no dia 30, com drinks e música que faziam as obras ganharem ainda mais vida. A pré-estreia lotou em apenas algumas horas e foi um sucesso para chamar a atenção de quem passava pelas portas de vidro da Caixa Cultural que fica na Av. Paulista, 2083. Sucesso esse que é impossível não atribuir aos grafites chamativos do artista que nos encantou com sua criatividade que nos é mostrada hoje, em exposição, vinte anos após seu falecimento.
A mesma exposição estará na Caixa Cultural, no Rio de Janeiro, nos dias 28 de setembro a 14 de novembro.

Demétrio, quando dançava…

agosto 12, 2010 :: Posted by - admin :: Category - Poesia marginal, Textos Pessoais

Ai Demétrio, lembra quando fomos dançar? Todos nos viam Demétrio. Todos nos amavam. E você dançava tão sorridente enquanto eu ria com nossos passos diferentes, como eu ria. Demétrio, mesmo se não dançássemos tão bem, todos  nos amariam por nossos sorrisos.
Ai Demétrio, ainda dançamos no chuveiro sorrindo? Ai Demétrio, quando você me levou para dançar, da última vez, eu errei todos os passos. E a gente não sorriu. Então ninguém nos amou, Demétrio. Ninguém nos amou.
Ai Demétrio, nem sei ainda se sabemos dançar.

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