Nunca é tarde para se encaixar

setembro 23, 2009 :: Posted by - admin :: Category - TDB - Revista Capricho

Nunca é tarde para notar as coisas que eu não sirvo. É claro que seria muito menos frustrante começar pensando nas coisas que eu deveria servir, mas não. Quero começar da outra parte.
Bom, indo direto ao ponto: eu não sirvo pra poemas, eu não sirvo para louças, eu não sirvo para matemática, eu não sirvo pra Coca-cola, eu não sirvo para pagodes, eu não sirvo para paciência, eu não sirvo para números, eu não sirvo para mudez.
Tem tanta gente que serve pra menos, ou que serve para as coisas que eu não sirvo…
O que ninguém entende é que o segredo do mundo está no ato de servir. Se eu não sirvo, outro serve e eu não preciso me preocupar, afinal eu me encaixo em várias outras coisas. É como se vivêssemos numa caixa de Lego: cada peça se encaixa onde dá. Se você não se encaixa aqui, se encaixa lá.
E eu fico feliz por saber disso. Afinal, mesmo quando eu começo um texto mostrando as coisas as quais eu não sirvo, nada fica frustrante, até porque eu posso começar outro texto ditando milhares de coisas que eu posso e consigo me encaixar. E nunca é tarde pra entender e pensar nessas  coisas.
Se eu pudesse escolher, seria uma peça de lego vermelha. As casas sempre ficam bonitas com essa peça.

Nota: a escritora não tem mais Legos em casa.

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A gente deixa de ser criança…

setembro 18, 2009 :: Posted by - admin :: Category - TDB - Revista Capricho

A gente deixa de ser criança quando os preços do supermercado parecem monstros do armário; quando aquele casaco vermelho é feio porque a etiqueta mostra um número feio; quando a Barbie vira enfeite no armário; quando a gente perde o ar ao brincar de pega-pega. A gente deixa de ser criança quando nosso maior problema deixa de ser a vizinha que não emprestou a boneca; quando a gente acorda e não vê a hora de dormir de novo; quando a gente pega ônibus lotado e não vê nenhum conhecido cantando que o João roubou pão. A gente deixa de ser criança quando dá meia noite e a cama vira a coisa mais atraente do mundo; a gente deixa de ser criança quando sente falta da escola e do cafuné; a gente deixa de ser criança quando a criança física fica de lado, mas a interna ainda chora procurando um colo de mãe.

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Eu & Filme

setembro 16, 2009 :: Posted by - admin :: Category - TDB - Revista Capricho

A gente sempre tem mil estórias. Mil imagens, mil falas, mil lembranças. Aí eu imagino um filme: aqueles flashs backs, aquele nascimento, as brigas da escola, as malas sendo feitas e os móveis sendo empacotados e desempacotados várias vezes ao ano… As brigas na família, os sorrisos cheios de livros e a preocupação… Aí vêm as novas amizades, os flashes de luzes dançantes, o experimentar… A distância, a liberdade, a saudade, as malas reformuladas e os móveis empacotados em formas diferentes a cada mês. As pessoas boas, as pessoas ruins e as pessoas muito ruins. E a gente vai escolhendo, se é melhor virar pra esquerda, virar para a direita, trocar de móveis, trocar de lugar, se envolver, não se envolver, se iludir ou não se iludir. E com isso a escritora e cada leitor têm um filme para produzir.

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de bitoca

setembro 11, 2009 :: Posted by - admin :: Category - Poesia marginal

comecei a invejar
todo mundo
principalmente
casais
com paixão
nos olhos
e bitoca
nos lábios,
comecei a invejar
os casais
que são

casais.

Cartão Vermelho

setembro 11, 2009 :: Posted by - admin :: Category - TDB - Revista Capricho

Cartão vermelho para as crianças que não sabem mais brincar de esconde-esconde sem um controle nas mãos.

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