Revendo o tempo

É estranho rever o tempo, rever as lembranças e notar o quanto elas foram contraditórias no decorrer dos tempos. Ás vezes o ontem é hoje, o hoje é o amanhã e nada para, nada para… O enlouquecer das mentes se deturpam mutuamente e a gente só nota quando passa, quando as coisas já não são mais como antes e nunca vão voltar. Porque essas lembranças são como pessoas: criam pernas, braços, domam a gente, domam o espaço, o tempo, a cabeça e somem. Correm, simplesmente correm como se fugissem de algo, como se fugisse de nós. Suas donas. E aí a gente perde.
Perdemos a lembrança e adotamos a memória. Como uma filhinha que a gente nunca teve, como um neném recém nascido que parimos e nos acompanhará por toda a estrada. Sentiremos-nos um só, e as lembranças ainda continuarão correndo em outro lugar do mundo, por qualquer lugar do mundo. Pode ser que um dia, como pessoas, elas voltem. Mas aí já estarão tão envelhecidas e carcomidas que nem a gente reconhecerá mais. E nossa filhinha, a memória, chorará: chorará precisando de alimento, de lembranças, de tempo, de pessoas, de pernas, de correria, de tudo. Precisando de nós.








