Revendo o tempo

agosto 27, 2009 :: Posted by - admin :: Category - Textos Pessoais

É estranho rever o tempo, rever as lembranças e notar o quanto elas foram contraditórias no decorrer dos tempos. Ás vezes o ontem é hoje, o hoje é o amanhã e nada para, nada para… O enlouquecer das mentes se deturpam mutuamente e a gente só nota quando passa, quando as coisas já não são mais como antes e nunca vão voltar. Porque essas lembranças são como pessoas: criam pernas, braços, domam a gente, domam o espaço, o tempo, a cabeça e somem. Correm, simplesmente correm como se fugissem de algo, como se fugisse de nós. Suas donas. E aí a gente perde.
Perdemos a lembrança e adotamos a memória. Como uma filhinha que a gente nunca teve, como um neném recém nascido que parimos e nos acompanhará por toda a estrada. Sentiremos-nos um só, e as lembranças ainda continuarão correndo em outro lugar do mundo, por qualquer lugar do mundo. Pode ser que um dia, como pessoas, elas voltem. Mas aí já estarão tão envelhecidas e carcomidas que nem a gente reconhecerá mais. E nossa filhinha, a memória, chorará: chorará precisando de alimento, de lembranças, de tempo, de pessoas, de pernas, de correria, de tudo. Precisando de nós.

Dançando no telefone – Dois em um.

agosto 25, 2009 :: Posted by - admin :: Category - TDB - Revista Capricho

Ligo pro SAC. Aquele gerundismo barato, aquelas dúvidas e frases nada eloquentes.
Um minuto por favor. E vem a bendita & famosa música.  Danço.
Sim, danço. Bailo pela sala como se tivesse um acompanhante. Pego o telefone – às orelhas – e me balanço pela sala no som que toca (normalmente valsa). Meus pés se locomovem pra lá, pra cá. Seguro o ar com a outra mão e sei que meu suposto parceiro está adorando aquele baile. Os dois grudados, dançando pela sala – com telefone ás orelhas – rindo e sendo aplaudidos pelos que veem a maravilhosa dança.
- Alô?
Triste. Fim de dança e mais dúvidas nada eloquentes. Fim de dois em um. Nós vamos estar providenciando para a senhora. Providenciando o que? Quero dançar. Só dançar.
Tem tanta gente que não sabe aproveitar telefonenas. No fim da ligação, eu e meu parceiro invisível, ficamos tristes.

Férias no espaço- quero ser astronauta.

agosto 14, 2009 :: Posted by - admin :: Category - Textos Pessoais

Ás vezes temos vontade de sair do mundo e talvez seja por isso que existem muitos astronautas por aí!
A remota idéia de que você pode sair desse planeta e viajar pelo espaço, num lugar que não existe, num lugar sem ar, sem vida, sem terra… Num lugar que você pode voar e ficar ali: sozinho.
Mas, aí a gente lembra que tem coisa mais real por perto, que temos uma escola, uma faculdade ou um trabalho… que temos uma família, bons amigos, um amor pra viver… Então só nos sobra deitar no quintal e ficar apreciando a lua bem distante. Imaginando como os astronautas devem se orgulhar em vê-la tão mais real do que nós; imaginando como deve ser bom tirar um mês de férias no espaço.

Às vezes eu queria ser astronauta.

Uma hora, quem sabe.

agosto 14, 2009 :: Posted by - admin :: Category - Textos Pessoais

Ás vezes as coisas não são como parecem. Na verdade, nada é o que parece. A gente tenta, vai, sobe, desce, cai, levanta, chora, ri e todas essas baboseiras normais dos seres humanos babacas e cheios de livres arbítrios. Sabe, a gente realmente tenta viver, mas as coisas despencam tanto, e aí chega uma hora que é só levantar, levantar, levantar, levantar e levantar. Porque nem o cair a gente nota mais. É chatice, é caretice, é criancice e todas essas coisas com ice. Então o conselho é: se levanta, pro tombo não ser maior da próxima. Uma hora vai dar certo, eu prometo. Terminei o texto diferente dessa vez.

Amar é…

agosto 10, 2009 :: Posted by - admin :: Category - TDB - Revista Capricho, Textos Pessoais

Amar é perguntar aonde você está, e não te procurar. É querer seu beijo, e limpar o rosto quando você for dá-lo. É sorrir quando ouve o barulho do portão, e me esconder quando escuto os passos muito próximo à porta. É pedir seus conselhos, e não deixar você sequer falar enquanto choro. É te ligar no meio da noite, e desligar repentinamente. É te olhar nos olhos, e desviar quando você olha nos meus. É gritar seu nome no escuro, e acender a luz como se não confiasse. É segurar na sua mão, e soltá-la no primeiro passo. É assistir o canal que você gosta, e trocar quando você vem assistir. É brincar, e só brincar. É te querer por inteiro e não como meio. É pedir um abraço, e te dar um beijo. É pedir seus olhos, e  dar meu coração.

Aquele arrependimento

agosto 09, 2009 :: Posted by - admin :: Category - TDB - Revista Capricho

Arrependimento é aquele que vem e come a gente por dentro. Que doma nossa cabeça e toma conta da mente. O que me faz lembrar todas as vezes que deixei de ajudar alguém; que senti preguiça; que acordei tarde demais; que não falei o que queria; que deixei de ir pra lugares legais; que falei mais do que devia… E essa mínima abertura abria aquele sentimento que nos doma por inteiro, que nos enlouquece e transforma a mente em uma fábrica de sentimentos malucos e estranhos. Por isso que arrependimento pra mim é uma antítese bem dita: algo tão grande e ao mesmo tempo tão pequeno, que deriva de coisas tão diferentes uma das outras. E, de uma forma ou de outra, ele sempre vem. Então eu prefiro ir tentando sempre fazer diferente e da próxima vez, não deixar de ajudar alguém, não ter tanta preguiça, falar somente as coisas que eu devo, acordar mais cedo, falar as coisas que quero e tentar me controlar. Apagar o arrependimento a gente não consegue, mas a gente pode diminuir as visitas dele e torná-las tão impossíveis quanto adorar acordar cedo para ir ao dentista.

A volta dos que não foram

agosto 09, 2009 :: Posted by - admin :: Category - Novidades do blog

Finalmente voltamos com o que estava parado! Agora é produzir e diversificar, começar do zero e fazer disso aqui o lugar mais confortável pra você! Se precisar temos café com açúcar à esquerda e o melhor suco de manga (com ou sem gelo) à sua direita. Temos televisão, uma estante de livros e filmes interessantes. Fique à vontade e escolha o que mais lhe chamar a atenção, eu duvido que se arrependa.

Neste lugar, todo mundo tem espaço. Fique à vontade e volte sempre.

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