poema simples, com minúscula

Peguei nossos risos e coloquei na taça de vinho
(…) derrubei com o cotovelo.

Peguei nossos risos e coloquei na taça de vinho
(…) derrubei com o cotovelo.

Ai Demétrio, lembra quando fomos dançar? Todos nos viam Demétrio. Todos nos amavam. E você dançava tão sorridente enquanto eu ria com nossos passos diferentes, como eu ria. Demétrio, mesmo se não dançássemos tão bem, todos nos amariam por nossos sorrisos.
Ai Demétrio, ainda dançamos no chuveiro sorrindo? Ai Demétrio, quando você me levou para dançar, da última vez, eu errei todos os passos. E a gente não sorriu. Então ninguém nos amou, Demétrio. Ninguém nos amou.
Ai Demétrio, nem sei ainda se sabemos dançar.

Quando a gente ama, algumas coisas facilitam-se e outras complicam-se. Digo, sem ambiguidades, que quando não amamos o céu é cinza, a música é triste, o estudo é chato, as pessoas são chatas, você é chato, tem muito trânsito e a comida é ruim. Quando amamos, além de todas as coisas contrárias serem boas, a comida fica salgada demais.

Não gosto de saber o real motivo dos seus sorrisos
Que nunca mais foram por mim
sem cócegas.

Hoje te fiz sorrir com chocolate
Sem cócegas
Só sujeira & cabelo grudento
Sorri junto.

É uma pena que as coisas por aqui estejam tão depressivas ultimamente. Não que eu não tenha ajoelhado e pedido um pouco de humor dramático (ou dark) e que no lugar não viesse nem uma jamanta que me atropelasse. Mas, essas coisas costumam acontecer nas melhores famílias, entende? Digo isso com toda simplicidade que pode me caber, vendo que passando os olhos por outros textos, os vejo tão tristes e monofóbicos quanto os meus: E assim os textos continuarão sendo feitos, lidos e mantidos. Para que, quando a fase passar, possamos olhar e dizer: deus, que fase dramática. E assim, caro leitor, continuemos a nos comunicar por essas palavras tão clássicas as quais estamos usufruindo. Continuemos então a nos descrever e nos abrir de tal maneira que somente a fobia da solidão nos faça entender o real significado das coisas. Espero que compreendam.
“Me ajuda que hoje eu tenho certeza absoluta que já fui Pessoa ou VirginiaWoolf em outras vidas, e filósofo em tupi-guarani, enganado pelos búzios, pelas cartas, pelos astros, pelas fadas. Me puxa para fora deste túnel, me mostra o caminho para baixo da quaresmeira em flor que eu quero encontrar em seu tronco lótus de mil pétalas do topo da minha cabeça tonta para sair de mim e respirar aliviado e por um instante não ser mais eu, que hoje não me suporto nem me perdôo de ser como sou sem solução”. CAIO FERNANDO ABREU

“Mergulho no cheiro que não defino, você me embala dentro dos seus braços, você cobre com a boca meus ouvidos entupidos de buzinas, versos interrompidos, escapamentos abertos, tilintar de telefones, máquinas de escrever, ruídos eletrônicos, britadeiras de concreto, e você me beija e você me aperta e você me leva pra Creta, Mikonos, Rodes, Patmos, Delos, e você me aquieta repetindo que está tudo bem, tudo bem…sabe que o meu gostar por você chegou a ser amor pois eu me comovia vendo você, pois eu acordava no meio da noite só pra ver você dormindo, meu Deus como você me doía de vez em quando. Mas, eu vou ficar esperando você numa tarde cinzenta de inverno bem no meio duma praça, então os meus braços não vão ser suficientes pra te abraçar e a minha voz vai querer dizer tanta, mas tanta coisa que eu vou ficar calada um tempo enorme só olhando você sem dizer nada, só olhando e pensando: meu Deus, como você me dói de vez em quando”. CAIO FERNANDO ABREU
É nesses momentos que agradeço à Rafael César; Gabriela Ventura e Carolina Colicigno. O inferno nunca seria o mesmo sem conhecer Caio Fernando.

Penso e logo descubro como é querer. Digo de passagem que não é nada passageiro, digo estática que é algo que não vai durar, digo que é algo paradoxo que não precisa de mais palavras.
Na exatidão de viver, com seus mínimos detalhes rotineiros, deparo-me com humores que não me agradam em nenhuma das faces, ao mesmo tempo os absorvo como quem pede um picolé de uva em dia de praia. Digo isso, sendo ainda mais confusa, porque ninguém aqui é uma coisa só e única. Somos criação, somos os outros, somos eles e somos nós. Somos o que crescemos, somos o que fazemos. Sou o picolé de uva, sou a água gelada, sou o mar e sou a areia quente. Somos todos um só e isso nos torna mais especiais do que somos. E isso “nos torna esse paradoxo que vivemos”.

Tontura. Interessante como as pessoas são antropofágicas quando precisam. Convivem com fotógrafos e tiram fotos; convivem com poetas e fazem poemas; convivem com músicos e fazem músicas; convivem com crônistas e fazem crônicas, convivem com felizes (personificados) e não ficam felizes (nem assim). O cotidiano é ainda mais interessante, as mesmas pessoas que nos relacionamos (repito: poetas, cronistas, fotógrafos) nos dizem e nos lembram coisas como baque – como machado na cabeça da gente – com uma naturalidade próxima de quando avisam que “o bacon acabou”. E aí vem a moral da história: alguém avisa que os cotidianos são diferentes, que as pessoas são diferentes e que a antropofagia, ás vezes, não funciona?! Tontura.