Ser e ficar anônima – Publicação na Capricho

fevereiro 26, 2010 :: Posted by - admin :: Category - TDB - Revista Capricho

Se eu quisesse, poderia falar que gosto do Brasil. Que gosto de música brega. Que tenho esperanças de um amor correspondido. Que odeio ser geminiana. Que sinto fome o dia todo. Que faço piadas de todos o tempo todo. Que não acho que o Obama vai salvar o mundo. Que sinto inveja de muita gente. Que o World Trade Center não foi um atentado causado pelo Bin Laden. Que odeio gente que sabe pouco. Que sei sambar. Que não sabia da bolsa de valores até isso virar o assunto principal. Que o Ronaldo não vai salvar o Corinthians. Que meu amigo não ficou bem loiro. Que acho melhor falar do que ficar calada. Que em boca aberta não entra mosca. Eu podia dizer tudo isso, mas, como não sou anônima prefiro me abster de comentários e deixar esse tipo de coisa só no meu pensamento, nos arquivos esquecidos de um blog e na falta de coragem de outras pessoas. Afinal, alguém precisa dar a cara a tapa.

Esse texto foi publicado na Revista Capricho - edição nº1067 - 29 de março de 2009 - página 11

Ana C. – a noite que volta

dezembro 01, 2009 :: Posted by - admin :: Category - TDB - Revista Capricho

Tomando café, conversando sobre a vida, rindo à toa em troca de qualquer olhar não ediondo. Música boa, pessoas em fumaça, fumaça aos nossos olhos. Ao som da lua e ao brilho do rádio, sinestesias ambulantes ditando sobre a vida alheia e o passado tenebroso. Ah, Ana. Nem mesmo o cio que tanto falas nos prenderia numa noite pouco obscura; talvez a lareira; talvez nossas lâmpadas…

*Ana Cristina César foi poeta e suas obras são contempladíssimas na literatura brasileira.

2012?

novembro 18, 2009 :: Posted by - admin :: Category - TDB - Revista Capricho

Se o mundo acabasse em 2012 eu venderia todas as minhas coisas e embarcaria em viajens sem volta como mochileira. Afinal, se o mundo vai acabar eu preciso vê-lo em cada detalhe.

A piada pronta

novembro 11, 2009 :: Posted by - admin :: Category - TDB - Revista Capricho

A modernização do mundo não impede as pessoas de se auto-flagelar com imagens vulgares e cheias de segundas intenções. Isso é uma possível conclusão que podemos ter com o bombardeio de notícias sobre a aluna, Geisy Villa Nova, da faculdade Uniban, que no dia 22 de outubro desfilou pelos corredores com o microvestido que trajava.
Que há certo exagero na postura dos alunos da faculdade, que xingaram, ameaçaram e encurralaram a aluna, é um fato certo. Mas, esse tipo de conclusão, já passa longe das atuais discussões sobre o caso.
A vulgaridade da aluna tem, na verdade, sido só desculpa de apelos de audiência, popularidade e “piadas prontas” contra a Universidade que expõe todo seu corpo docente para tratar de um assunto que já deveria ter sido esquecido, ainda mais por se tratar de apelos que caíram na boca do povo e viraram tratado de desrespeito.

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Online e Offline

outubro 22, 2009 :: Posted by - admin :: Category - TDB - Revista Capricho

A humanidade inteira tem crescido junto com as tão famosas e sonhadas redes sociais. As mesmas redes têm tomado vida própria e tudo virou virtual, inclusive a vida de cada internauta. Os problemas estão lá, as soluções estão lá, o respirar está quase lá… e a privacidade também pode estar presente, ou não.
Antigamente para encaixar-se, bastava apenas uma decoreba de gírias e coisas legais de se falar para os amigos; vizinhos e namoradinhos. Atualmente, basta “apenas” apertar o botão de online para todas as redes que nos deixam, supostamente, pessoas mais sociais; tudo isso no meio de metade do mundo que não lembra nem o seu nome. Um dia me disseram que a “Lei Natural das coisas” torna tudo mais fácil com o tempo, algo me diz que não é bem assim, afinal a cada dia eu ganho, gratuitamente, mais um botão de ONLINE para apertar e esquecer que lá fora tem um mundo a minha espera. Se nascerem árvores na minha rua eu quase não saberei, mas sei de cor todos os meus botões virtuais. Um dia, quem sabe, eu aperte o OFFLINE sem querer e perceba que a minha rua inteira mudou de cor.

 

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Nunca é tarde para se encaixar

setembro 23, 2009 :: Posted by - admin :: Category - TDB - Revista Capricho

Nunca é tarde para notar as coisas que eu não sirvo. É claro que seria muito menos frustrante começar pensando nas coisas que eu deveria servir, mas não. Quero começar da outra parte.
Bom, indo direto ao ponto: eu não sirvo pra poemas, eu não sirvo para louças, eu não sirvo para matemática, eu não sirvo pra Coca-cola, eu não sirvo para pagodes, eu não sirvo para paciência, eu não sirvo para números, eu não sirvo para mudez.
Tem tanta gente que serve pra menos, ou que serve para as coisas que eu não sirvo…
O que ninguém entende é que o segredo do mundo está no ato de servir. Se eu não sirvo, outro serve e eu não preciso me preocupar, afinal eu me encaixo em várias outras coisas. É como se vivêssemos numa caixa de Lego: cada peça se encaixa onde dá. Se você não se encaixa aqui, se encaixa lá.
E eu fico feliz por saber disso. Afinal, mesmo quando eu começo um texto mostrando as coisas as quais eu não sirvo, nada fica frustrante, até porque eu posso começar outro texto ditando milhares de coisas que eu posso e consigo me encaixar. E nunca é tarde pra entender e pensar nessas  coisas.
Se eu pudesse escolher, seria uma peça de lego vermelha. As casas sempre ficam bonitas com essa peça.

Nota: a escritora não tem mais Legos em casa.

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A gente deixa de ser criança…

setembro 18, 2009 :: Posted by - admin :: Category - TDB - Revista Capricho

A gente deixa de ser criança quando os preços do supermercado parecem monstros do armário; quando aquele casaco vermelho é feio porque a etiqueta mostra um número feio; quando a Barbie vira enfeite no armário; quando a gente perde o ar ao brincar de pega-pega. A gente deixa de ser criança quando nosso maior problema deixa de ser a vizinha que não emprestou a boneca; quando a gente acorda e não vê a hora de dormir de novo; quando a gente pega ônibus lotado e não vê nenhum conhecido cantando que o João roubou pão. A gente deixa de ser criança quando dá meia noite e a cama vira a coisa mais atraente do mundo; a gente deixa de ser criança quando sente falta da escola e do cafuné; a gente deixa de ser criança quando a criança física fica de lado, mas a interna ainda chora procurando um colo de mãe.

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Eu & Filme

setembro 16, 2009 :: Posted by - admin :: Category - TDB - Revista Capricho

A gente sempre tem mil estórias. Mil imagens, mil falas, mil lembranças. Aí eu imagino um filme: aqueles flashs backs, aquele nascimento, as brigas da escola, as malas sendo feitas e os móveis sendo empacotados e desempacotados várias vezes ao ano… As brigas na família, os sorrisos cheios de livros e a preocupação… Aí vêm as novas amizades, os flashes de luzes dançantes, o experimentar… A distância, a liberdade, a saudade, as malas reformuladas e os móveis empacotados em formas diferentes a cada mês. As pessoas boas, as pessoas ruins e as pessoas muito ruins. E a gente vai escolhendo, se é melhor virar pra esquerda, virar para a direita, trocar de móveis, trocar de lugar, se envolver, não se envolver, se iludir ou não se iludir. E com isso a escritora e cada leitor têm um filme para produzir.

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Cartão Vermelho

setembro 11, 2009 :: Posted by - admin :: Category - TDB - Revista Capricho

Cartão vermelho para as crianças que não sabem mais brincar de esconde-esconde sem um controle nas mãos.

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Dançando no telefone – Dois em um.

agosto 25, 2009 :: Posted by - admin :: Category - TDB - Revista Capricho

Ligo pro SAC. Aquele gerundismo barato, aquelas dúvidas e frases nada eloquentes.
Um minuto por favor. E vem a bendita & famosa música.  Danço.
Sim, danço. Bailo pela sala como se tivesse um acompanhante. Pego o telefone – às orelhas – e me balanço pela sala no som que toca (normalmente valsa). Meus pés se locomovem pra lá, pra cá. Seguro o ar com a outra mão e sei que meu suposto parceiro está adorando aquele baile. Os dois grudados, dançando pela sala – com telefone ás orelhas – rindo e sendo aplaudidos pelos que veem a maravilhosa dança.
- Alô?
Triste. Fim de dança e mais dúvidas nada eloquentes. Fim de dois em um. Nós vamos estar providenciando para a senhora. Providenciando o que? Quero dançar. Só dançar.
Tem tanta gente que não sabe aproveitar telefonenas. No fim da ligação, eu e meu parceiro invisível, ficamos tristes.

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