José Saramago – O evangelho segundo Jesus Cristo

setembro 06, 2010 :: Posted by - admin :: Category - Publicações, Textos Pessoais, Vá ler um livro

Com um narrador mais do que onisciente, a obra “O evangelho segundo Jesus Cristo” nos apresenta a história de Jesus Cristo de um modo bem mais real do que o esperado. Mostrando Jesus como um homem à frente de sua época, que debate e discute até com Deus, o livro vai nos colocando à par da história e mostrando seus “personagens” tão reais e cheio de detalhes que fica difícil não achar um certo veredicto. Tudo isso porque Saramago, mesmo tentando deixar claro o quanto sua obra é ficcional (“tudo é o que dissermos que foi”, pag 204), nos mostra cada desejo, dúvida e pensamento de quem faz parte da história. Logo no começo do livro, por exemplo, na cena em que na Bíblia José receberia a visita do anjo Gabriel com a mensagem que Maria estava grávida de um filho de Deus, o homem levanta por vontade de urinar esquecendo-se por alguns instantes o que lhe afligia a mente. O fato de mostrar José com problemas do cotidiano, nos aproxima da história e nos faz questionar com o narrador, que o tempo todo coloca-se no presente assim como nós.

É claro que essas verossemelhanças pouco agradariam à uma boa parte dos leitores. Colocar Jesus como alguém tão próximo à seus súditos é algo quase injustificável. Pior fica quando Jesus, podendo conversar com Deus, o enche de perguntas e acusações que muitos de nós, leitores ou não, no fundo pensamos. E, por mais incrível que pareça, Deus em todos os questionamentos mostra-se conhecedor dos problemas e sofrimentos de seu povo e, ás vezes, pouco interessado. Como nos trechos: “Esses foram lançados à fogueira por crerem em ti, os outros sê-lo-ão por duvidarem, Não é permitido duvidar de mim, Não, Mas nós podemos duvidar de que o Júpiter dos romanos seja deus, O único Deus sou eu, eu sou o Senhor, e tu és o meu Filho, Morrerão milhares, Centenas de milhares, Morrerão centenas de milhares de homens e mulheres, a terra encher-se-á de gritos de dor, de uivos e roncos de agonia, (…), e tudo isto será por minha culpa, Não por tua culpa, por tua causa, Pai, afasta de mim este cálice, Que tu o bebas é a condição do meu poder e da tua glória, Não quero esta glória, Mas eu quero esse poder. (…). Então o Diabo disse, É preciso ser-se Deus para gostar tanto de sangue. (…)” ; “Todos eles vão ter de morrer por causa de ti, perguntou Jesus, Se pões a questão nesses termos, sim, todos morrerão por minha causa, E depois, Depois, meu filho, já te disse, será uma história interminável de ferro e de sangue, de fogo e de cinzas, um mar infinito de sofrimento e de lágrimas (…)”. É fácil, ainda, imaginar a cara dos leitores ao ler, por exemplo, a cena de amor entre Jesus e Maria Magdala. Teoria que há anos é deixada de lado, mas no livro de Saramago é mais que comprovada dentro de sua ficção.

Nos apresentando sua realidade, Saramago nos torna mais próximos da figura de Jesus. Nada comparado ao Jesus santificado que nos é transpassado no decorrer da Bíblia. Jesus, para o leitor, acaba sendo quem o lê. Sendo isso bom ou ruim, só lendo para entender.

Esse texto foi uma colaboração para o site do Meia Palavra, do Portal MTV.

“A gente tem complexo de vira-lata”, disse Pedro Bandeira em debate com o diretor Márcio Pontes

setembro 03, 2010 :: Posted by - admin :: Category - Textos Pessoais, Vá ler um livro

“Todos falam sobre o tal do Harry Potter, mas ele é ótimo. É graças à ele que o jovem lê mil páginas” – enfatizou Pedro Bandeira em debate com o diretor teatral Márcio Pontes.

Bem descontraído e quase não permitindo que o diretor falasse, Pedro surpreendia à todos com seus discursos e memória para datas precisas. Falou sobre história do Brasil, educação e até contou como funciona o processo de criação para um escritor: “Mesmo os mais antigos escritores tem um limite de páginas, por exemplo, (…) No Brasil precisa o professor ter vontade de ler para seus alunos, para que os mesmos leiam também (…) Então aqui não tem como eu escrever um livro de 300 páginas para um aluno ler (…)”.
O escritor aproveitou o assunto para falar sobre nossa cultura e deixou bem claro o quão triste acha a nossa falta de leitura, “A gente não cresceu se acostumando a ler (…) em outros países, os pais lêem as coisas para os filhos, os avós lêem as coisas para os netos e todo mundo fica lendo, é incrível (…) aqui, quando a leitura acontece, é porque é obrigada (…)“, ainda acrescentou, “A Europa tinha níveis médios de analfabetismo no século dezoito (…) enquanto o Brasil, no Segundo Reinado, beirava 80% de analfabetos (…)”.
Apesar de mostrar um certo atraso do país perante outros países, Pedro Bandeira mostrou-se bem esperançoso com a situação do Brasil, “Temos problemas que foram criados de acordo com a nossa história (…). mas, não somos piores que ninguém (…) a gente só tem complexo de vira-lata (…)”.
E depois de muitas datas e explicações, finalizou: “O país está crescendo, uma hora todo mundo aprende (…)”.
Depois do debate, foi a vez do Grupo Polichinelo apresentar, em forma de teatro, o livro “Gente de estimação”, do escritor. Com muitas risadas, Pedro acompanhou cada detalhe da peça como se nunca tivesse visto a sua própria obra.

O espaço vazio

setembro 02, 2010 :: Posted by - admin :: Category - Textos Pessoais

Aquele vazio vai dominando a mente. Aquele vazio, sabe qual é? Aquele que de tão paradoxo é pesado como pedra e leve como deveria ser. Aquele vazio que toma conta da gente e, lembrando de seu paradoxo, preenche todo o espaço interno. Não sei ao certo o que tenho para dizer, só sei que são muitas coisas. Mas, o vazio não quer deixar. O vazio quer me dominar e me calar até que eu desista da ideia.
O vazio, na verdade, só quer ser meu amigo de fé; meu irmão camarada. Só que ele sabe que eu não permitiria, então sou forçada. O vazio me lota, o vazio me corrompe, o vazio é mais importante do que eu.

( @aquelalolita 11 de maio de 2010)

Demétrio – todos os dias

agosto 29, 2010 :: Posted by - admin :: Category - Textos Pessoais

Demétrio é inacreditável. Tem um humor diferente a cada dia.
Despertava com rosas e café gostoso.
Um dia me acordou com gritos.
Chorava se escondendo e fazendo cafuné dizendo que eu não precisava ver aquilo.
Um dia disse que nunca chorou.
Perguntava se eu estava bem, como modo de ter certeza que eu não precisava de nada.
Um dia me viu chorando e ligou a televisão.
Comia com palhaçadas e piadas em cada grão do arroz.
Um dia me pediu paz para comer sua refeição.
Demétrio é inacreditável, quem me dera que fosse só um dia.

Desenhos – 4/06/2006

agosto 27, 2010 :: Posted by - admin :: Category - Textos Pessoais

Desenhe-me no crepúsculo, na moita, na melodia. Mostre-me no suave, no sonho, na cantoria. Pegue minha mão e confesse a todos que você está aqui, ao meu lado. Eu te sinto, eu te vejo. E eu converso, conversas relaxantes. Como de anjos… anjos conversando sobre os segredos, a vida, as infinidades e até a morte. Por fim, te desenho no crepúsculo, na moita, na melodia. Te mostro no suave, no sonho, na cantoria. Já peguei sua mão e já confessei a todos que você estava ao meu lado. Mentira.

Chef Carla Pernambuco nos faz delirar com suas receitas

agosto 26, 2010 :: Posted by - admin :: Category - Textos Pessoais
Carla Pernambuco é grande chef de cozinha, colunista da revista “Casa e Comida” e das rádios Band FM e Mit FM, escritora (são vários livros) e, porque não, blogueira. Sim, Carlota, como também é chamada, é tudo isso. Aliás, em seu blog, Carla Pernambuco fala sobre gastronomia, receitas, grandes chefs e tudo que envolve seu dia-a-dia.
Não foi à toa que, juntamente com sua equipe de gastronomia, Carlota foi palestrante na Bienal do Livro, no Espaço Gourmet.

Aproveitando a estreia do seu mais novo livro, “Dez x 10: 100 Receitas para Comer de Joelhos“, da Editora Leya, Carla Pernambuco participou de um debate no último dia da Bienal de São Paulo. Com sua equipe e sócia, a chef Carol Brandão, Carlota nos deixou com água na boca com algumas de suas receitas.

Há anos trabalhando na área, a chef foi levando o debate com questões engraçadas e leves que deixava todos risonhos, “Me perdoem os chefs, mas odeio degustações! (…) parecem que elas servem só para apreciar quem as faz (…)“, contou Carlota causando gargalhadas em todos que a ouviam.

 

Enquanto sua equipe falava, a chef Carol Brandão cozinhava os quitutes que seriam servidos ao público. Carol é sobrinha de Ignácio Loyola e começou a trabalhar com Carlota depois de uma ligação de seu tio fazendo um pedido especial, “Quando o Ignácio me telefonou dizendo sobre sua sobrinha, há dez anos, fiquei com medo que fosse só mais uma parente de jornalista que ia atrapalhar todo meu trabalho (…) só que me enganei totalmente, ela é ótima, prestativa, trabalhadora e cheia de ideias (…)“, disse Carlota se explicando, Carol, que até então mal tinha tirado os olhos das receitas, completou dizendo que o trabalho tinha sido duro, mas que era só acompanhar o ritmo que tudo dava certo, “o trabalho é normal“, completou; “Normal? Esse trabalho é anormal!“, brincou Carlota, “Agora ela é minha sócia (…) nós vamos abrir um novo espaço na Oscar Freire (…)“, contou a chef  enquanto nos era servido as três primeiras receitas do livro que lançava, como “um rolinho de pato com maçã e pepino“.

O restaurante, “Carlota“, tem duas filiais: uma na Rua Sergipe, em Higienópolis e outro na Rua Dias Ferreira, no Rio de Janeiro. “Eu sou meio mandona (…) imagino que deve ser complicado ás vezes“, disse Carlota finalizando o debate mesmo depois dos elogios de toda sua equipe.

Quando fazia panquecas de chocolate

agosto 24, 2010 :: Posted by - admin :: Category - Textos Pessoais

 

Você me disse uma vez que me amava demais. E eu acreditei, Demétrio. O problema é que você só me ama demais quando meus pés estão grudados no chão ou quando estou debaixo de sua mesa oferecendo quitutes e panquecas com chocolate. E depois que você come as panquecas, Demétrio, você não me ama mais. Nem demais. Você nem elogia as panquecas.
Um dia fiz as panquecas e vendi. Fez tanto sucesso que eu desconfiei que todos me amassem E eles realmente me amaram, Demétrio. E você nunca mais comeu panquecas.

Os blogueiros de gastronomia mostram a cara

agosto 23, 2010 :: Posted by - admin :: Category - Textos Pessoais

BLOGS

No último dia da Bienal de São Paulo, no Espaço Gourmet, foi a vez dos blogueiros especialistas em gastronomia, a arte de apreciar uma boa comida.
Sentados e preparadíssimos, Marcelo Katsuki, Alessandra Blanco, Ailin Aleixo e Alessandro Guerra falaram quase duas horas sobre seus blogs e suas culinárias. Com espaço, inclusive, para cada um dar a melhor receita, o debate nos enchia de água na boca.

Alessandro Guerra, do site Cuecas na Cozinha, foi o primeiro a explicar o motivo dos blogs: “O estudo da gastronomia muitas vezes não é acessível às pessoas que não querem cozinhar como chefs (…) elas querem cozinhar coisas boas, gostosas e de jeitos simples (…)”, Ailin Aleixo, do blog Gastrolândia, completou, “Nessa ramo há termos bem complicados de se entender (…) Por isso criei o blog! Para facilitar essa compreensão”, “(…)As pessoas podem ler as críticas em um jornal, mas elas precisam de alguém que fale diretamente pra elas (…)”, completou Alessandra Blanco do blog da IG, Comidinhas.
Questionados sobre o trabalho dos respectivos blogs, Ailin contou que o serviço que presta é bem diferente do que as pessoas costumam pensar, “A crítica do nosso blog tem que ser envolvente (…) não é simplesmente comer e criticar (…) tem que fazer parte daquilo (…) é todo um processo que você tem que participar (…) E este envolve engordar, não entrar mais na calça, ir para algum spa” – brincou. Ainda falando sobre esse ciclo de produção de blogs, Katsuki, do blog Ricardo Katsuki da Folha, contou que já foi sócio em um restaurante e acabou conhecendo o outro lado da mesa, “é uma loucura (…) eu até desisti de ser sócio (…) é muito fácil criticar quando você não conhece essa produção”. Ainda contou que os leitores costumam ver muito glamour onde não existe, “Um dia uma leitora me mandou um e-mail dizendo que queria ter a minha vida (…) Eu trabalho na Folha o dia inteiro e, no dia desse e-mail, eu não tinha tido nem tempo de ir almoçar (…) então respondi dizendo que minha vida não era tão invejável e que naquele momento, por exemplo, eu estava comendo um sanduíche de mortadela da tia do café (…) e essa leitora só me respondeu um “Ai, credo” e nunca mais disse nada” – contou o bloggueiro arrancando risadas da plateia.

No final do debate, cada um dos presentes passou uma receita de seu blog. Nessa hora, todos da plateia arrancavam caderninhos e canetas para anotar cada detalhe. Marcelo nos passou a receita do “Feio gostoso”; Ale Blanco passou o “Bolo de iorgurte com banana”, Ailin uma receita italiana e Alessandro ensinou sua “sopa de morango”. Depois das anotações, Alessandro finalizou com a dica: “Tudo é o que você quiser que seja (…) sua cabeça não pode estar presa na receita, você pode inventar o que quiser (…) Se eu compro uma água de rosas, por exemplo, eu posso fazer ela servir para qualquer coisa”.

Receitinhas

Feio gostoso:   

 

 - 1 copo de polvilho doce
- Meia copo de óleo
- 3 ovos
- Meia xíc de água
- 1 colher (sobremesa) de sal
- 200g de queijo ralado

Bata tudo no liquidificador. Unte uma forma com furo no meio, coloque a massa e mantenha em fogo médio de 25 graus, por Marcelo Katsuki.

Bolo de iogurte com banana

- 2 xíc de farinha de trigo
- 2 xíc de açúcar
- 1 copo de iogurte natural
- 1 copo (do iogurte) de óleo
- 1 colher de fermento
- 4 ovos
- 2 bananas maduras e amassadas

Nem precisa de batedeira. Bata tudo na mão e leve ao forno, por Ale Blanco.

A falta das flores

agosto 17, 2010 :: Posted by - admin :: Category - Textos Pessoais

Quando ouvi o barulho da porta, Demétrio, levantei bruscamente e nem liguei que o cobertor caía no chão.
Mas, quando abri a porta você não tinha flores. Cadê aquela rosa, Demétrio? Decerto achara muito caro o preço do senhor português da esquina. Portanto, se fosse uma questão de economia, eu não ligaria, meu amor.

Só que você ficou tão triste de não ter rosas que, Demétrio, você matou todas as outras…

Demétrio não era brega

agosto 14, 2010 :: Posted by - admin :: Category - Textos Pessoais

Eu estava andando descalça pela casa quando você derrubou um copo, Demétrio.
O copo era normal, tinha uns desenhos amarelos, que eu costumava achar brega, por isso, não foi sobrenatural vê-lo se partindo. Mas, Demétrio, você gritava tanto ao ver os cacos amarelos e transparentes que eu achei que você tinha um lado brega.
Acontece que o problema era outro, Demétrio. Você não era brega, era rude. Então, quando os cacos tocaram o chão, você gritou para eles a direção dos meus pés. Era melhor que fosse só brega.

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