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Manacá - Brasil & Capitu.

Manacá é uma banda brasileira, que leva o nome de um fruto arroxeado tipicamente brasileiro, que inspira-se em literatura pura e moderna juntamente com toques de folclore brasileiro.
Comandado pela cativante Letícia Persiles, atriz que fez a personagem Capitu no seriado que leva o mesmo nome, é impossível não se deixar levar pela melodia e letra da banda. Lançando seu CD, pós seriado, produzido por Mario Caldato, a banda despontou no cenário musical. O álbum contém 11 faixas sendo mistas composições de Letícia e Luiz Cesar (guitarrista), sendo uma faixa regravação de “Canto de Ossanha” de Vinícius de Morais e Baden Powell.
Manacá veio pra provar que ainda existem boas bandas no cenário nacional: é rock, é poesia, é folclore, é Brasil.


1. Prelúdio
2. Flor do Manacá
3. Lua Estrela
4. Diabo
5. O galo cantou
6. O desejado
7. Gaiola
8. Rosa Branca e Romã
9. Lamento
10. Faca de ponta
11. O galo cantou (acústico)
12. Canto de ossanha

Baixe ou compre o CD do Manacá.

Veja abaixo um dos vídeos da banda:

Veja mais fotos:

  

O escuro

Foi quando deu-se madrugada, que aquela já se aquietava, sozinha no meio de seus pertences. Era tomada pela angústica, medo, premonição. Sentia seus sentimentos, seus sentidos, suas controvérsias. Não durmia, lia, pensava, criava, apagava, errava. Era tomada por fatos, mas sentia seu coração pulsar, pulsava mais rápido do que qualquer outra luz. Fato incompreendido até então. Pensava, sentia; sentia e pensava. Sentia como ninguém até então pudia sentir, era diferente e indiferente. E quando recebera a notícia, era mais uma vez tomada por essas labaredas infinitas de objetos estranhos… que entravam e saíam sem permissão. Iam de um lado a outro. Matando, comendo, bebendo, gritando. Era o medo, a saudade, a angústia, o choro,a tristeza. A culpa. E como toque final, recebia como convidada principal a tal da loucura, que até então só vinha para tomar chás.

Texto publicado em 3 de junho de 2007, no blog Carpe Diem Doctors (antigo blog de três dias).

O homem como consumidor

Subentende-se por indústria cultural toda e qualquer cultura convertida em mercadoria que, por sua vez, é fruto da sociedade capitalista liberal. Esta mesma sociedade, que impõe o uso de um indivíduo real como um indivíduo de estatística que representa uma massa e não um ser único, também sofre pela alienação causada pelo sistema que criou. Há, na indústria cultural como um todo, um conformismo social por meio da padronização de comportamentos, criando assim necessidades superficiais e transformando o homem em apenas consumidor do que lhe é mostrado, dirigido e disciplinado.
Há de se lembrar que a cultura deve ser entendida como pessoal e crítica, ou seja, não deve ser criada como pré-consumo de opiniões já formadas por uma falsa massa que serve de instrumento globalizado e método de controle. Pelo contrário, deve ser usada no sentido de fornecer ao homem, isto é, ao indivíduo real e único, informações que agreguem sua visão humana e social. Alguns estudiosos da área, como Teixeira Coelho, professor de Comunicação da Universidade de São Paulo, acreditam que nada se pode esperar da Indústria Cultural no sentido de libertação do homem perante a sociedade em que faz parte, porém concordam que é possível uma nova posição estrutural, desde que a mesma venha de dentro da própria “massa” para que, assim, a tal chamada Indústria deixe de pensar no indivíduo como consumidor e passe a enxergá-lo como parte pensante do meio em que o cerca. Parte esta, inclusive, essencial para uma possível comunicação e vivência.
Levando em consideração que a Indústria Cultural padroniza comportamentos e os transforma em gosto popular e que a única possibilidade de mudança seria a não transformação do homem em objeto único de consumo, seria mais fácil caber a nós, seres pensantes e parte integrante da tão dita “massa”, termos coragem para nos libertamos de informações ditas como cultas para termos algo pessoal e intransferível: opinião própria.

Proposta de Redação do Cursinho Popular dos Estudantes da USP (ACEPUSP) - Curso Pré-Vestibular - acepusp.org.br  * Por sua vez, abro uma nova categoria entitulada: REDAÇÕES.

Ser e ficar anônima - Publicação na Capricho

Se eu quisesse, poderia falar que gosto do Brasil. Que gosto de música brega. Que tenho esperanças de um amor correspondido. Que odeio ser geminiana. Que sinto fome o dia todo. Que faço piadas de todos o tempo todo. Que não acho que o Obama vai salvar o mundo. Que sinto inveja de muita gente. Que o World Trade Center não foi um atentado causado pelo Bin Laden. Que odeio gente que sabe pouco. Que sei sambar. Que não sabia da bolsa de valores até isso virar o assunto principal. Que o Ronaldo não vai salvar o Corinthians. Que meu amigo não ficou bem loiro. Que acho melhor falar do que ficar calada. Que em boca aberta não entra mosca. Eu podia dizer tudo isso, mas, como não sou anônima prefiro me abster de comentários e deixar esse tipo de coisa só no meu pensamento, nos arquivos esquecidos de um blog e na falta de coragem de outras pessoas. Afinal, alguém precisa dar a cara a tapa.

Esse texto foi publicado na Revista Capricho - edição nº1067 - 29 de março de 2009 - página 11

A análise do galanteador

Todo mundo conhece um galanteador. Eu mesma conheço vários diferentes. Pequenos, altos, magros, gordos, poetas, matemáticos ou cientistas. O interessante é conviver com os mesmos e analisá-los friamente, detalhe por detalhe, dissecando toda a informação útil e agradável. Sei que isso soa aterrorizante e pouco plausível, mas todo mundo, repito, conhece um galanteador e por sua vez também pode ser galanteado. 
Com o dissecar vem a identificação das pequenas coisas que significam muito: um olhar diferente, um telefonema de madrugada, uma cama mais desarrumada ou um piscar esquerdo quando não sabe como mentir. Eu diria mais, contaria da tremedeira do joelho, o entortar de boca; ou, pior, da risadinha forçada e da piada mal feita toda vez que não sabe sobre o que falar. Já que estou por analisar, analisarei mais detalhes, mas tais coisas serão guardadas para uma psicologia mais interna; uma coisa metida a literato; um livro; etc. Sem fugir do assunto, voltemos então aos galanteadores: Aqueles que dizem, entorpecem; que fazem contas, poesias ou piadas. Resumindo, aqueles apaixonantes que fazem e refazem a cabeça de quem acompanha.  Termino aqui o começo da análise, sem um fim próprio e sem um texto garantido. Galanteadores são tão difíceis de “desegalantear”.

Caramelo – O filme

Dentre os mil filmes que tenho assistido frequentemente, surpreendi-me com um deles emprestado pela minha chefe: Caramelo (Caramel/Sukkar banatSukkar), dirigido por Nadine Labaki. A obra estreiou em 2007 e foi lançada, aqui no Brasil, somente no ano passado no circuito alternativo de cinemas. O filme, em si, é composto com atrizes amadoras (inclusive a própria diretora) e conta a história de cinco mulheres diferentes que se encontram com freqüência num salão de beleza que é conhecido por sua depilação com uma pasta caramelizada. Cada uma dessas mulheres tem um problema específico e complicado de se tratar: Nisrine, uma mulçumana prestes a se casar e não mais virgem; Layale uma mulher apaixonada por um homem casado; Jamile que se recusa a envelhecer; Rima com sua atração clara por pessoas do mesmo sexo; e, Rose, uma senhora obrigada a escolher entre sua vida ou cuidar da irmã com Alzheimer. No salão e no decorrer do filme, as histórias vão prendendo a atenção de quem assiste e fazendo, até mesmo, o mais tímido dos telespectadores querer responder pela escolha e destino que cada personagem escolhe para si mesma. Com finais inesperados, o enredo cria novas posições na vida de cada um, posições estas que, ou concordam com as personagens, ou vão para caminhos totalmente diferentes e desanuviados. Um filme singular para quem prefere situações comuns à americanizadas.

Desenhe-me com café

Quero a equação completa, as fórmulas criadas para o esquecimento. Nunca fui de números, mas nunca é tarde para aprender coisas velhas. Quero ser imperativa, sem forçar para o lado humano, quero que o amanhã chegue agora. Sem delta s sobre delta t.
Então, tome um café assim, bem tomado, bem equalizado pela garganta que está com sede. Não hesite na cafeína, sobre o cérebro, é importante para todo o funcionamento. Não hesite você, leitor, de se surpreender: pegue cada detalhe esquecido na memória&café: tome-o sem apologias.
Pegue, em cada gole, cada detalhe sobre as pequenas coisas. Ninguém precisa de mais que isso para compreender os detalhes e deixar tudo correr bem. Everyhing will be fine.
Por fim, desenhe-me deste jeito que vê: assim, sentada, com um toque particular e cabelo amarrado para o lado. Faça o contorno mais forte, não queira que o desenho se apague. Faça assim, dê uma pitada nos olhos, no amigo falando e nos olhos de novo. Sinta o momento e trabalhe a física, pode desenhar com as suas equações favoritas, assim dará mais certo. Olhe tudo, cada detalhe, e veja os olhares. E quando der o silêncio, tome mais um gole de cafeína e desenhe meus lábios: assim, juntos com os seus, de repente. Desenhe tudo, pegue cada detalhe, só, por favor, não os passe nos filtros de papel. Eles costumam rasgar com facilidade.

A utopia de escrever

Quando se tem o dom é fácil saborear a vida, qualquer papel e lápis viram o seu instrumento de trabalho mais simples e puro que alguém já pode ter visto.
As palavras voam, ecoam sobre a circunstância mágica e a esfera maluca que nós mesmos criamos. A bolha de sabão estoura e só um e outro entende o que a gente diz. É um novo vocabulário, parece mais  hebraico misturado com tailandês.
Alguns entendem, outros apenas tentam ou nem isso fazem. Mas, a vida continua: o calor não vai parar só porque você pede, sua vida não vai melhorar se você não correr atrás, seu amor não vai te amar caso você não se mostre apaixonante, suas contas não serão pagas sozinhas e seu simples tênis não será amarrado sem a ajuda de mãos. É justamente por isso que a gente escreve, a utopia é criada e cada segundo vira um dia diferente. Pelo menos para mim.

Quanto vale ou é por quilo?

“Quanto vale ou é por quilo”, dirigido por Sérgio Bianchi, é um filme brasileiro crítico socioeconômico.
Expõe, de maneira distinta, cenas de épocas totalmente diferentes que se interligam por problemas que existem desde a sociedade antiga: o agregamento de valores de um lado e o tratamento de pessoas como objetos práticos e lucrativos do outro.
O filme compara duas épocas sociais que, na prática, assemelham-se na corrupção e violência pregada por questões meramente econômicas. A primeira cena expõe a época da escravidão, com seus personagens fixos, explorados por questões de valores bem conhecidas na história brasileira; no desenrolar as cenas seguem e personagens cotidianos e atuais vão sendo apresentados e assemelhados às cenas anteriores. Inspirado no conto “Pai contra mãe” de Machado de Assis, Bianchi nos mostra quanto os problemas sociais são parecidos no decorrer de décadas: a base de exploração econômica continua a mesma desde sempre.
Resta a nós, brasileiros, que acompanhamos toda essa “base” de perto, assistirmos o filme e levantarmos da cadeira em busca de mudanças. Mudanças, desta vez, significativas.

::extras::

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“Na escravidão a gente era tudo máquina. Eles pagavam combustível e manutenção para que a gente tivesse saúde pra trabalhar de graça pra eles. Agora não, agora é diferente. Agora a gente é escravo sem dono, cada um aqui custa setescentos paus para o Estado. Por mês. Mais do que três salários mínimos. Isso diz alguma coisa sobre esse país. O que vale é ter liberdade para consumir. Essa é a verdadeira funcionalidade da democracia”. – Lázaro Ramos como presidiário.

Resenha e extras por Tatiany Leite. Copyright © 2010 aquelalolita - All Rights Reserved

Tontura de antropofagia

Tontura. Interessante como as pessoas são antropofágicas quando precisam. Convivem com fotógrafos e tiram fotos; convivem com poetas e fazem poemas; convivem com músicos e fazem músicas; convivem com crônistas e fazem crônicas, convivem com felizes (personificados) e não ficam felizes (nem assim). O cotidiano é ainda mais interessante, as mesmas pessoas que nos relacionamos (repito: poetas, cronistas, fotógrafos) nos dizem e nos lembram coisas como baque – como machado na cabeça da gente – com uma naturalidade próxima de quando avisam que “o bacon acabou”. E aí vem a moral da história: alguém avisa que os cotidianos são diferentes, que as pessoas são diferentes e que a antropofagia, ás vezes, não funciona?! Tontura.