“A gente tem complexo de vira-lata”, disse Pedro Bandeira em debate com o diretor Márcio Pontes

setembro 03, 2010 :: Posted by - admin :: Category - Textos Pessoais, Vá ler um livro

“Todos falam sobre o tal do Harry Potter, mas ele é ótimo. É graças à ele que o jovem lê mil páginas” – enfatizou Pedro Bandeira em debate com o diretor teatral Márcio Pontes.

Bem descontraído e quase não permitindo que o diretor falasse, Pedro surpreendia à todos com seus discursos e memória para datas precisas. Falou sobre história do Brasil, educação e até contou como funciona o processo de criação para um escritor: “Mesmo os mais antigos escritores tem um limite de páginas, por exemplo, (…) No Brasil precisa o professor ter vontade de ler para seus alunos, para que os mesmos leiam também (…) Então aqui não tem como eu escrever um livro de 300 páginas para um aluno ler (…)”.
O escritor aproveitou o assunto para falar sobre nossa cultura e deixou bem claro o quão triste acha a nossa falta de leitura, “A gente não cresceu se acostumando a ler (…) em outros países, os pais lêem as coisas para os filhos, os avós lêem as coisas para os netos e todo mundo fica lendo, é incrível (…) aqui, quando a leitura acontece, é porque é obrigada (…)“, ainda acrescentou, “A Europa tinha níveis médios de analfabetismo no século dezoito (…) enquanto o Brasil, no Segundo Reinado, beirava 80% de analfabetos (…)”.
Apesar de mostrar um certo atraso do país perante outros países, Pedro Bandeira mostrou-se bem esperançoso com a situação do Brasil, “Temos problemas que foram criados de acordo com a nossa história (…). mas, não somos piores que ninguém (…) a gente só tem complexo de vira-lata (…)”.
E depois de muitas datas e explicações, finalizou: “O país está crescendo, uma hora todo mundo aprende (…)”.
Depois do debate, foi a vez do Grupo Polichinelo apresentar, em forma de teatro, o livro “Gente de estimação”, do escritor. Com muitas risadas, Pedro acompanhou cada detalhe da peça como se nunca tivesse visto a sua própria obra.

O espaço vazio

setembro 02, 2010 :: Posted by - admin :: Category - Textos Pessoais

Aquele vazio vai dominando a mente. Aquele vazio, sabe qual é? Aquele que de tão paradoxo é pesado como pedra e leve como deveria ser. Aquele vazio que toma conta da gente e, lembrando de seu paradoxo, preenche todo o espaço interno. Não sei ao certo o que tenho para dizer, só sei que são muitas coisas. Mas, o vazio não quer deixar. O vazio quer me dominar e me calar até que eu desista da ideia.
O vazio, na verdade, só quer ser meu amigo de fé; meu irmão camarada. Só que ele sabe que eu não permitiria, então sou forçada. O vazio me lota, o vazio me corrompe, o vazio é mais importante do que eu.

( @aquelalolita 11 de maio de 2010)

Demétrio – todos os dias

agosto 29, 2010 :: Posted by - admin :: Category - Textos Pessoais

Demétrio é inacreditável. Tem um humor diferente a cada dia.
Despertava com rosas e café gostoso.
Um dia me acordou com gritos.
Chorava se escondendo e fazendo cafuné dizendo que eu não precisava ver aquilo.
Um dia disse que nunca chorou.
Perguntava se eu estava bem, como modo de ter certeza que eu não precisava de nada.
Um dia me viu chorando e ligou a televisão.
Comia com palhaçadas e piadas em cada grão do arroz.
Um dia me pediu paz para comer sua refeição.
Demétrio é inacreditável, quem me dera que fosse só um dia.

Desenhos – 4/06/2006

agosto 27, 2010 :: Posted by - admin :: Category - Textos Pessoais

Desenhe-me no crepúsculo, na moita, na melodia. Mostre-me no suave, no sonho, na cantoria. Pegue minha mão e confesse a todos que você está aqui, ao meu lado. Eu te sinto, eu te vejo. E eu converso, conversas relaxantes. Como de anjos… anjos conversando sobre os segredos, a vida, as infinidades e até a morte. Por fim, te desenho no crepúsculo, na moita, na melodia. Te mostro no suave, no sonho, na cantoria. Já peguei sua mão e já confessei a todos que você estava ao meu lado. Mentira.

Chef Carla Pernambuco nos faz delirar com suas receitas

agosto 26, 2010 :: Posted by - admin :: Category - Textos Pessoais
Carla Pernambuco é grande chef de cozinha, colunista da revista “Casa e Comida” e das rádios Band FM e Mit FM, escritora (são vários livros) e, porque não, blogueira. Sim, Carlota, como também é chamada, é tudo isso. Aliás, em seu blog, Carla Pernambuco fala sobre gastronomia, receitas, grandes chefs e tudo que envolve seu dia-a-dia.
Não foi à toa que, juntamente com sua equipe de gastronomia, Carlota foi palestrante na Bienal do Livro, no Espaço Gourmet.

Aproveitando a estreia do seu mais novo livro, “Dez x 10: 100 Receitas para Comer de Joelhos“, da Editora Leya, Carla Pernambuco participou de um debate no último dia da Bienal de São Paulo. Com sua equipe e sócia, a chef Carol Brandão, Carlota nos deixou com água na boca com algumas de suas receitas.

Há anos trabalhando na área, a chef foi levando o debate com questões engraçadas e leves que deixava todos risonhos, “Me perdoem os chefs, mas odeio degustações! (…) parecem que elas servem só para apreciar quem as faz (…)“, contou Carlota causando gargalhadas em todos que a ouviam.

 

Enquanto sua equipe falava, a chef Carol Brandão cozinhava os quitutes que seriam servidos ao público. Carol é sobrinha de Ignácio Loyola e começou a trabalhar com Carlota depois de uma ligação de seu tio fazendo um pedido especial, “Quando o Ignácio me telefonou dizendo sobre sua sobrinha, há dez anos, fiquei com medo que fosse só mais uma parente de jornalista que ia atrapalhar todo meu trabalho (…) só que me enganei totalmente, ela é ótima, prestativa, trabalhadora e cheia de ideias (…)“, disse Carlota se explicando, Carol, que até então mal tinha tirado os olhos das receitas, completou dizendo que o trabalho tinha sido duro, mas que era só acompanhar o ritmo que tudo dava certo, “o trabalho é normal“, completou; “Normal? Esse trabalho é anormal!“, brincou Carlota, “Agora ela é minha sócia (…) nós vamos abrir um novo espaço na Oscar Freire (…)“, contou a chef  enquanto nos era servido as três primeiras receitas do livro que lançava, como “um rolinho de pato com maçã e pepino“.

O restaurante, “Carlota“, tem duas filiais: uma na Rua Sergipe, em Higienópolis e outro na Rua Dias Ferreira, no Rio de Janeiro. “Eu sou meio mandona (…) imagino que deve ser complicado ás vezes“, disse Carlota finalizando o debate mesmo depois dos elogios de toda sua equipe.

Sessão ukelele

agosto 25, 2010 :: Posted by - admin :: Category - Indicações da Semana

1.

2.

3.

“O ukulele é um instrumento musical de cordas beliscadas, semelhante a um violão, mas menor. Tem apenas 4 cordas usualmente afinadas em , mi, e sol, sendo a corda sol mais aguda que a dó. O ukulele, também muitas vezes chamado erroneamente de guitarra havaiana, tem origem em dois instrumentos tradicionais da Ilha da Madeira”. – Wikipédia

Quando fazia panquecas de chocolate

agosto 24, 2010 :: Posted by - admin :: Category - Textos Pessoais

 

Você me disse uma vez que me amava demais. E eu acreditei, Demétrio. O problema é que você só me ama demais quando meus pés estão grudados no chão ou quando estou debaixo de sua mesa oferecendo quitutes e panquecas com chocolate. E depois que você come as panquecas, Demétrio, você não me ama mais. Nem demais. Você nem elogia as panquecas.
Um dia fiz as panquecas e vendi. Fez tanto sucesso que eu desconfiei que todos me amassem E eles realmente me amaram, Demétrio. E você nunca mais comeu panquecas.

Os blogueiros de gastronomia mostram a cara

agosto 23, 2010 :: Posted by - admin :: Category - Textos Pessoais

BLOGS

No último dia da Bienal de São Paulo, no Espaço Gourmet, foi a vez dos blogueiros especialistas em gastronomia, a arte de apreciar uma boa comida.
Sentados e preparadíssimos, Marcelo Katsuki, Alessandra Blanco, Ailin Aleixo e Alessandro Guerra falaram quase duas horas sobre seus blogs e suas culinárias. Com espaço, inclusive, para cada um dar a melhor receita, o debate nos enchia de água na boca.

Alessandro Guerra, do site Cuecas na Cozinha, foi o primeiro a explicar o motivo dos blogs: “O estudo da gastronomia muitas vezes não é acessível às pessoas que não querem cozinhar como chefs (…) elas querem cozinhar coisas boas, gostosas e de jeitos simples (…)”, Ailin Aleixo, do blog Gastrolândia, completou, “Nessa ramo há termos bem complicados de se entender (…) Por isso criei o blog! Para facilitar essa compreensão”, “(…)As pessoas podem ler as críticas em um jornal, mas elas precisam de alguém que fale diretamente pra elas (…)”, completou Alessandra Blanco do blog da IG, Comidinhas.
Questionados sobre o trabalho dos respectivos blogs, Ailin contou que o serviço que presta é bem diferente do que as pessoas costumam pensar, “A crítica do nosso blog tem que ser envolvente (…) não é simplesmente comer e criticar (…) tem que fazer parte daquilo (…) é todo um processo que você tem que participar (…) E este envolve engordar, não entrar mais na calça, ir para algum spa” – brincou. Ainda falando sobre esse ciclo de produção de blogs, Katsuki, do blog Ricardo Katsuki da Folha, contou que já foi sócio em um restaurante e acabou conhecendo o outro lado da mesa, “é uma loucura (…) eu até desisti de ser sócio (…) é muito fácil criticar quando você não conhece essa produção”. Ainda contou que os leitores costumam ver muito glamour onde não existe, “Um dia uma leitora me mandou um e-mail dizendo que queria ter a minha vida (…) Eu trabalho na Folha o dia inteiro e, no dia desse e-mail, eu não tinha tido nem tempo de ir almoçar (…) então respondi dizendo que minha vida não era tão invejável e que naquele momento, por exemplo, eu estava comendo um sanduíche de mortadela da tia do café (…) e essa leitora só me respondeu um “Ai, credo” e nunca mais disse nada” – contou o bloggueiro arrancando risadas da plateia.

No final do debate, cada um dos presentes passou uma receita de seu blog. Nessa hora, todos da plateia arrancavam caderninhos e canetas para anotar cada detalhe. Marcelo nos passou a receita do “Feio gostoso”; Ale Blanco passou o “Bolo de iorgurte com banana”, Ailin uma receita italiana e Alessandro ensinou sua “sopa de morango”. Depois das anotações, Alessandro finalizou com a dica: “Tudo é o que você quiser que seja (…) sua cabeça não pode estar presa na receita, você pode inventar o que quiser (…) Se eu compro uma água de rosas, por exemplo, eu posso fazer ela servir para qualquer coisa”.

Receitinhas

Feio gostoso:   

 

 - 1 copo de polvilho doce
- Meia copo de óleo
- 3 ovos
- Meia xíc de água
- 1 colher (sobremesa) de sal
- 200g de queijo ralado

Bata tudo no liquidificador. Unte uma forma com furo no meio, coloque a massa e mantenha em fogo médio de 25 graus, por Marcelo Katsuki.

Bolo de iogurte com banana

- 2 xíc de farinha de trigo
- 2 xíc de açúcar
- 1 copo de iogurte natural
- 1 copo (do iogurte) de óleo
- 1 colher de fermento
- 4 ovos
- 2 bananas maduras e amassadas

Nem precisa de batedeira. Bata tudo na mão e leve ao forno, por Ale Blanco.

Entrevista Jostein Gaarder e John Boyne – última parte

agosto 20, 2010 :: Posted by - admin :: Category - Vá ler um livro

Olá, sou professora de filosofia e dou aula para alunos de 15 à 19 anos (…). Gostaria de saber do Jostein Gaarder, já que o mesmo lecionou filosofia durante anos, como ele lida com essa matéria (…), vendo que é muito complicado tirar da cabeça dos alunos que a filosofia é apenas para loucos ou gênios. – pergunta da plateia
Jostein Gaarder: “É realmente complicada essa visão da filosofia (…). Mas, quando eu lecionava, era só transformar as coisas de um jeito que se tornasse prazeroso ao aluno (…) Era só fazer perguntas. Você não precisa tanto de datas, de nomes ou de lugares… simplesmente sente na frente deles e pergunte coisas que todos se perguntam, porque esse é o papel da filosofia. Questionar (…)”.

Pretendo ser escritora e gostaria que vocês dessem dicas para os iniciantes (…) – pergunta da plateia
John Boyne: “Na verdade não existem muitas dicas para isso. No meu caso, por exemplo, eu sinto prazer em escrever (…) é uma coisa que vem de dentro de mim e não vai parar nunca. Eu sempre estou escrevendo, até antes de vir aqui, para o debate, eu estava escrevendo (…). Então, para os novos escritores, eu só posso pedir que ESCREVAM. Escrevam sempre! Uma vez por dia, todos os dias (…) Um amigo meu dizia que se escrevêssemos todos os dias, em um ano teríamos 365 páginas, e isso é um livro bem grande (…)E também leiam, leiam muito. A leitura só traz coisas boas, melhora tudo: nossa escrita, nossa memória, nossa imaginação (…). E, por último, reescrevam. Esse é o principal segredo. Existem pessoas que acham que da primeira vez que escrevem está tudo perfeito, mas isso é mentira. Um rascunho é sempre um rascunho. Ali está só a base, as primeiras ideias que saíram descontroladamente”; Jostein Gaarder ainda completou: “Logo que eu comecei nessa carreira, eu escrevi um livro gigante. Mas, cometi um erro terrível para mim mesmo: não deixei que os outros o vissem e nem o rê-li. Assim que o terminei, mandei direto para a editora (…) Esse livro nunca foi publicado, obviamente. E eu, depois que o li, sequer gostei do que eu havia escrito (…). Concordo com Boyne, reescrevam e reeditem quantas vezes for necessário. Nem que, para isso, tenham que refazer o livro todo”.

Olá, meu nome é Tatiany Leite e escrevo para um blog sobre livros (…). Gostaria de saber, aproveitando a última pergunta, o que vocês acham sobre a internet. Isto é, acham que a internet é um bom canal para quem está começando agora?

John Boyne: “Eu sou absolutamente viciado em internet. Se eu chego, por exemplo, em um hotel que não tem internet eu fico louco (…). Fiquei com inveja de Gaarder porque ele sequer trouxe seu notebook! E isso, para mim, é muito estranho (…) Faço tudo na internet e acho que, hoje em dia, é difícil que não o faça, mas a internet é algo complicado. Quando alguém escreve na internet, não significa necessariamente que é um escritor (…) O papel de uma editora, por exemplo, é fundamental… Quando você é escritor, há todo esse processo que faz parte da criação de uma boa obra (…)”,
Jostein Gaarder: “A internet hoje em dia é algo imprescindível para qualquer pessoa. John disse que eu não trouxe notebook, mas eu o trouxe indiretamente. Eu tenho esse aparelho, (Jostein mostrou algo que pareceu ser um ipod), que me dá total contato com o mundo tecnológico. Daqui eu posso entrar em meus e-mails e ainda verificar todas as minhas obras (…) Todas as minhas obras e textos estão nesse pequeno aparelho que carrego no bolso e isso é absurdamente incrível(…). Acho que o papel da internet é tremendamente importante para quem começa a escrever. O jovem precisa de algo que o acompanhe e a internet veio para isso(…)”.

No livro Maya, de Jostein Gaarder, os personagens falam sobre a possibilidade de beber-se um líquido mágico que teria o poder de torná-los imortais (…) John nos disse que é tão viciado em escrever que, possivelmente, quando morresse estaria no meio de um livro; enquanto Jostein mostrou-se apreensivo por achar que, em alguma hora, não terá mais o que oferecer como escritor (…) Então, se vocês pudessem beber esse elixir da vida, vocês o beberiam? E, se sim, continuariam escrevendo ou acham, realmente, não teriam mais o que oferecer para seus leitores?
John Boyne: “Uau, essa é uma pergunta bem difícil (…). Eu não sei, eu continuaria com essa aparência magnífica que tenho? (…) Caso eu bebesse esse elixir, tenho certeza que continuaria escrevendo, não me vejo parando nunca (…) Esses dias brinquei com meu pai que nunca me aposentaria, não me vejo sendo um velhinho que não escreve (…) Não sei se respondi muito bem”.
Jostein Gaarder: “Muito interessante sua pergunta. No meu livro, Maya, em determinado momento, uma das personagens pega um esqueiro e entrega ao seu parceiro dizendo que, caso ele o abra, se tornará imortal. E o personagem, sem pestanejar, abre o esqueiro (…) São pouquíssimas pessoas que optam por isso (…) Tenho certeza que, caso eu pergunte aqui, ninguém escolheria ser imortal. É uma decisão complicada (…) Mas, eu escolheria (…) Adoraria ver o mundo passando e poder contar a história como vi de verdade, mas não sei se teria memória para isso. Digo, John quer manter sua beleza mas, imaginem eu que já sou mais velho. Me tornaria imortal nessas condições? Não sei, caso tivesse memória e condições para isso, continuaria escrevendo sobre cada detalhe (…)”.
John Boyne: “Vocês notaram que estamos respondendo como se realmente pudéssemos beber esse elixir? (…) Digo, Eu poderia pedir cabelos, por exemplo? (…)”.

Entrevista Jostein Gaarder e John Boyne, parte I

agosto 19, 2010 :: Posted by - admin :: Category - Vá ler um livro

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Jostein Gaarder e John Boyne – assuntos sérios, mas com humor.

Debatendo sobre o papel da história narrativa para compreensão do mundo, Jostein Gaarder e John Boyne concordaram ao dizer que qualquer narração serve para manter os dados em nossa mente, “Comecei a escrever “O Mundo de Sofia” pensando em fazer um guia de filosofia. Quando fui ler as 30 primeiras páginas, o livro era tão chato que tive vontade de dormir. (…) Então resolvi inventar a história da menina Sofia que recebe bilhetes secretos com as perguntas : “quem é você?” e “o que é o mundo?’ (…) Só depois disso que funcionou (…) As pessoas puderam entender a filosofia pelo cotidiano de uma criança, por uma narrativa simples que fez tudo ser memorizado (…)”, disse Jostein.
Outro fato bem discutido no espaço foi o uso de crianças para produzir uma boa história, “As crianças são inocentes, não inventam problemas como os adultos (…). Quando pensei em criar meu livro, “O menino do pijama listrado”, percebi que ninguém havia contado sobre o holocausto segundo os olhos de uma criança (…); perante os olhos de alguém que sequer tem um lado definido (…)”, disse John Boyne, em resposta à uma fã. Jostein Gaarder, por sua vez, aproveitou o desfecho para contar sobre a filha de uma amiga que, ao ver o ex-presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, em discurso, pedindo que Deus abençoasse a América, questionou porque o então presidente não abençoava o mundo todo de uma vez. E é essa a inocência que as crianças proporcionam. E as narrativas, quando as retratam, permitem que o leitor assimile os fatos acontecidos, reais ou fictícios, em sua memória para todo o sempre, “O livro “Através do Espelho” é assim, eu falo da morte (…), mas é uma criança que lida com isso (…) e sua inocência limpa toda a maldade (…)”, frizou Jostein ao ser questionado sobre a tristeza que seu livro retrata.
Ainda falando em crianças, fomos todos surpreendidos quando uma mãe, em pé, atrás da plateia, pegou o microfone e, aos prantos, disse que a narrativa de Boyne havia tirado seu filho do hospital. A simplicidade da mãe, que mal sabia os títulos dos livros, arrancou aplausos inclusive dos escritores.
Dali, as perguntas da plateia só cresceram e, ainda, tomaram novo rumo. Depois do próprio Gaarder ter assumido que achava quase não ter mais o que oferecer como escritor; enquanto Boyne sustentava seu vício em escrever o tempo todo, perguntei: “Se pudessem beber o elixir da vida, assim como tentam os personagens do livro Maya, de Jostein, acham que continuariam escrevendo para sempre?”. Depois de um mega discurso do escritor do livro citado, John finalizou o debate, fazendo todos gargalharem, ao dizer: “Depende, eu continuaria com essa aparência magnífica que tenho ou poderia pedir mais cabelos?”.

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